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CV António Araújo POPUP Fotos da Inauguração

APRESENTAÇÃO

Formas de Alma No silêncio aparente das imagens, ora pintadas de mil cores, ora apenas na condição mais nua, os nossos corações vão deslizando, entre segredos mágicos, ambíguos, tecidos de encantamentos, talhados nas formas simples e mais genuínas que as nossas almas podem albergar.

Rosa Meireles

«De tudo quanto vejo me acrescento» escreveu Sophia de Mello Breyner.

António Araújo vive e fotografa da mesma maneira. Acrescenta-se, recolectando aquilo que reconhece como verdade sua. Escuta as coisas para lhes revelar a forma, essa forma em que calidamente a alma se aconchega, estremece de encantamento, estarrece de milagre.

Fotografar é nele uma espécie de acto de fé: persignação de quem humildemente comunga de um esplendor que o ultrapassa, comoção de quem se sabe eleito privilegiado de uma revelação.

Ao fotografar o lugar que sabe ser o seu, os Açores, transfigura-os, formata-os à medida do seu olhar, à semelhança do seu interior. As suas fotografias são sempre outra coisa a mais do que o real, porque se compõem de partes iguais de terra e alma. É essa atenção ao exterior e essa concentração em si que o fazem perceber silhuetas de deuses petrificados nas fajãs, fitar pupilas de pedra que emergem do mar, vislumbrar filigranas de gotas dançantes, nas erva dos caminhos. É esta alquimia de virtuosismo técnico e sensibilidade embevecida que nos subjuga e nos faz dar por nós a olhar também doutra maneira:

…e os degraus musguentos deixam de ser escorregadios e cediços, transfigurados por uma qualquer névoa rosada de magia atlante; os calhaus rolados metamorfoseiam-se em animais rochosos, adormecidos no calor do próprio bafo; aos nenúfares do tanque do azeite é mais que óbvio que de todo os pintou Miró, em ouro e azul… e o Pico já não é o Pico, agora é uma ilustração de um haiki, porque só pode ser japonesa aquela silhueta em que as sombras se sobrepõem grave e graciosamente, em tons de anil.

…De terra e alma nos fala, pois, Araújo, nesta exposição… formas da terra que o revelam …formas em que a nossa alma se acrescenta.

Ana Lúcia Almeida

OBRAS EM EXPOSIÇÃO


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